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BNDES financia navios para Mercosul Lines

Brasília, 12/04 - A Mercosul Lines acertou um empréstimo de US$ 61 milhões com o BNDES para compra de mais dois navios para o transporte de cabotagem. O banco já liberou a primeira parte do empréstimo, que foi dividido em 60 parcelas, com juros de 5% ao ano.
Subsidiária da anglo-holandesa P&O Nedlloyd, a Mercosul Lines está negociando com fornecedores de aço o suprimento da matéria-prima necessária para construção dos dois porta-contêineres. Os novos navios serão construídos em Itajaí (SC), nos estaleiros da Metal Nave.
A Mercosul, fundada no Brasil em 1999, terá que bancar cerca de 10% do projeto, com mais US$ 6 milhões, negócio que Dick Meurs, gerente geral da P&O Nedlloyd na costa leste da América do Sul, vê com confiança. "O mercado de cabotagem está crescendo na base de 10% a 20% ao ano, não há mais navios de contêineres disponíveis, todos estão trabalhando com sua capacidade máxima", diz.
Esse mercado, hoje, equivale a mais de 200 mil teus/ano (teu é sigla em inglês para unidade de 20 pés). O transporte é disputado por 14 navios, distribuídos entre a própria Mercosul, com duas embarcações fretadas; a Aliança, braço da Hamburg Sud; e a Vale do Rio Doce.
Em menos de dois anos, segundo José Carlos Elias, diretor de projeto da Mercosul, "o custo diário de um navio fretado praticamente triplicou, de US$ 7 mil para US$ 21 mil". O primeiro navio deverá ser entregue em março de 2006 e o segundo em setembro, do mesmo ano. Cada um com capacidade de transporte de 1.712 teus .
Os dois atuais fretados podem carregar, nominalmente, até 1.500 teus cada um. A Mercosul tem dúvidas se ficará com as quatro embarcações, depois que os novos navios forem entregues, mas as atuais condições do mercado levam a empresa à possibilidade de fretar um terceiro navio ainda em 2004.
"Os clientes pedem mais espaço e mais freqüência de navios, mas é preciso estudar com cuidado o mercado, pois estamos num mundo globalizado, em que as rotas podem ser mudadas, conforme as conveniências dos resultados", adverte Meurs.
Elias, cita, por exemplo, que cerca de 40% das cargas que saem de Manaus para o Sul do país já utilizam navios. Nos dois sentidos de navegação, esse transporte, que reduz entre 20% e 30% o frete, comparativamente ao modal rodoviário, tem-se especializado em produtos eletrônicos, químicos (resinas), cimento e material de construção, em geral. "Só não transportamos os granéis tradicionais", cita.
Como extensão da P&O Nedlloyd, a Mercosul Lines compartilha fretes, aproveitando as linhas internacionais da matriz, no caso, de portos brasileiros para outros do Mercosul, que completam o transporte. "O aumento das importações argentinas, em 2003, ajudou muito na consolidação dos serviços de cabotagem", explica Meurs. O grupo tem ainda a P&O Nedlloyd Logistics, que viabiliza operações para clientes que precisam de diferentes modais de transporte, consolidação de cargas e de armazenamento.
Na avaliação de Meurs, se a economia brasileira cresce 4%, a cabotagem avança até 20%, "no mínimo, 10%", sustenta. Para construir os dois navios, os estaleiros de Itajaí fizeram investimentos estimados em US$ 7 milhões, proporcionando a geração de mil empregos diretos e quatro mil indiretos.
Os bons ventos da navegação também atingiram a P&O Nedlloyd, que fechou 2003 com o transporte internacional de 3,7 milhões de teus, com 5% de acréscimo sobre 2002. O faturamento da empresa somou U$ 4,83 bilhões. Esse resultado proporcionou um lucro operacional de US$ 96 milhões, contra um prejuízo de US$ 206 milhões no ano anterior.
Na sexta-feira o grupo conclui mudanças em sua composição acionária. Até agora, ingleses e holandeses dividiam de forma igual o controle. Agora, os ingleses ficaram com 25% e os outros 75% serão pulverizados entre acionistas holandeses. A nova empresa se chamará Royal P&O Nedlloyd.

Valor Econômico